AS ARTIMANHAS DE UMA FUTURA SOGRA
Há quem fale mal de sogra
Sem a mesma merecer,
Mas há quem diga a verdade;
Por isso vou escrever
As artimanhas de uma
Tentando me convencer.
Eu que vivia solteiro,
Procurando namorada,
Encontrei uma senhora
Que disse: — Meu camarada,
Em casa tenho uma filha
Muito bonita e educada.
O seu nome é Juliana,
Tão linda como uma flor,
Tem apenas vinte anos
E está procurando amor,
Acredito que dá certo
Em casar-se com o senhor.
Vamos até minha casa,
Pois eu vou lhe apresentar
Minha filha Juliana;
Você vai se apaixonar —
Depressa lhe acompanhei
Para poder confirmar.
Fui meio desconfiado
Pra conhecer a menina,
Sabendo que a velha ia
Querer mudar minha sina.
Fiquei pensando comigo:
“Vou ver o que me destina.”
Ao chegar à sua casa,
Foi uma decepção:
Um magote de meninos
Nos recebeu no portão,
Com o nariz escorrendo,
Sujos e de pés no chão.
Gritando: — Vovó chegou!
Tão imensa era a alegria;
Um guri pedia balas,
Outro a puxava e dizia:
— Você trouxe o meu carrinho
Que prometeu outro dia?
Para entrar em sua casa
Foi uma dificuldade,
Havia muita criança
Fazendo festividade,
Cada uma perguntava
Pela sua novidade.
Depois que entramos na casa,
Um grande susto eu tomei:
A Juliana não era
Bonita como pensei,
Feia que só o diabo,
Que na hora me assustei.
Estava despenteada,
Olhos cheios de remela,
Sentada em uma cadeira
Pertinho a uma janela,
Amamentando um guri
Bem mais feio do que ela.
A velha lhe disse assim:
— Vá se arrumar, Juliana,
Para eu te apresentar
Este poeta bacana,
Que está caçando mulher
Pra casar esta semana.
Foi aí que a Juliana
Tirou o filho do peito,
Entrou para se arrumar;
E eu já muito insatisfeito,
Tive que ouvir a velhota
Me falar com muito jeito:
— Minha filha está sem sorte
Para arrumar casamento,
O que teve não prestou,
Só passou por sofrimento,
O safado era pinguço,
Preguiçoso e violento.
E hoje ela tem sete filhos,
Vive morando comigo.
Depois da separação
Minha casa é um abrigo,
Mas logo vai ter um lar
Assim que casar contigo.
Eu pensei ali comigo:
E agora o que vou fazer?
Estou sonhando acordado? —
Quando vi aparecer
Juliana, me dizendo:
— Seu Pereira, é um prazer!
Foi pegando em minha mão
E sentou-se do meu lado.
O perfume que ela usava
Era bastante enjoado,
Que não vomitei ali
Por não ser mal educado.
Começamos conversar,
Quando ela me disse assim:
— Quero que fale a verdade:
O senhor gostou de mim? —
Na hora fiquei confuso
E a ela respondi: — Sim!

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