A CHEGADA DE ZÉ DO CAIXÃO NO INFERNO



A CHEGADA DE ZÉ DO CAIXÃO NO INFERNO  

Noite passada no inferno  
Se deu grande confusão,  
Satanás foi acordado  
Com batidas no portão,  
Quando perguntou quem era  
Ouviu: — É Zé do Caixão! 

O diabo disse: — Seu corno,  
Volte já por onde veio,  
Eu preciso de descanso  
E não tolero aperreio,  
Se eu levantar desta cama  
O negócio fica feio. 

— Levante, cabra safado,  
Deixe de ser carrancudo  
Ou eu quebro este portão,  
Depois acabo com tudo.  
Até serro suas "gaias"  
Pra deixar de ser chifrudo. 

O Satanás nessa hora,  
Vermelho como uma brasa,  
Gritou: — Seu filho da peste,  
Defunto de cova rasa.  
Será que não tenho paz 
Nem mesmo dentro de casa?! 

— Mas como pode dormir  
Tranquilo, uma hora desta?  
Você “tá” se aposentando  
Ou seu serviço não presta?  
Pois enquanto você dorme  
Tem gente fazendo a festa. 

— Eu sou autônomo e trabalho  
Na hora que dá na teia, 
Não sou igual a você,  
Que como peste vagueia,  
Batendo uma hora desta  
Na propriedade alheia.

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